Pesquisa inédita expõe desgaste da polarização, descrença nos políticos e amplo desejo de mudança para as eleições de 2018

A pedido do movimento Agora!, o IDEIA Big Data entrevistou 10.063 pessoas de todos as cinco regiões do Brasil, durante os dias 11 e 25 de julho

 

A política tradicional, os partidos e atuais políticos estão em forte queda no imaginário dos eleitores. Isso é o que demonstra a pesquisa realizada pelo IDEIA Big Data, a pedido do Agora!, entre os dias 11 e 25 de julho, com aproximadamente 10 mil pessoas de todo o País. “A pesquisa veio confirmar o sentimento do movimento Agora!. O momento é dos cidadãos comuns indignados assumirem o protagonismo da construção de um país melhor e mais justo”, explica uma das coordenadoras do movimento Agora!, Ilona Szabó.

Na pesquisa, realizada via telefone, a maioria esmagadora das pessoas deseja ver caras novas nas eleições de 2018. Segundo a pesquisa, 79% concordam com a afirmação “gostaria muito de ver os cidadãos comuns (de fora da política), como professores, empreendedores, funcionários públicos concursados, trabalhadores da indústria, profissionais liberais, entre outros, candidatos em 2018”. E os partidos, por sua vez, continuam num processo de desgaste de credibilidade: 77% dos entrevistados destacam que votam na pessoa e não se importam com o partido político – na região Nordeste, esse percentual chega a 90%. Também nessa linha, 72% responderam que não se importam se uma política pública é de direita ou esquerda, desde que torne sua vida melhor. “O estudo mostra a irrelevância dessa polarização na cabeça das pessoas. Os brasileiros querem lideranças menos ideológicas e mais pragmáticas. A maioria está sedenta por soluções concretas, independente de partido e das brigas pelo poder em Brasília”, destaca Leandro Machado, outro coordenador do Agora!.

Os respondentes também acreditam que movimentos de fora da política (de cidadãos comuns) entendem bem melhor os seus problemas (81%). “Fica evidente a desconexão entre os políticos atuais e os problemas reais das pessoas”, reforça Ilona. Leandro Machado completa: “A política precisa voltar a servir melhor as pessoas e isso é urgente.”

E parece que os eleitores já se preparam para mostrar seu descontentamento na prática. Para 48% dos entrevistados, a eleição de 2018 é certamente a grande oportunidade que o Brasil tem para renovar a política – enquanto 38% discordam. A maioria (57%) defende que pessoas envolvidas na Lava-Jato, mesmo que não tenham sido condenadas, não merecem seu voto. Já 52% defendem que “somente quem nunca foi candidato (a) a nada pode realmente trazer a renovação necessária”. A região Sul é a que mais acredita nesta afirmação (60%), seguida pelo Sudeste (55%), e o Centro-Oeste (52%). No Nordeste, esse percentual cai para 44% e, no Norte, 45%. Quanto ao partido, 59% gostariam que o próximo presidente não pertencesse ao PMDB, PSDB e nem PT. “O ciclo desses três grandes partidos no Palácio do Planalto está fortemente ameaçado em 2018. O eleitor brasileiro está aberto a outras alternativas. Resta saber quem poderá ocupar esse espaço”, conclui o presidente do IDEIA Big Data, Mauricio Moura.

O IDEIA Big Data ouviu 10.063 pessoas de 37 municípios brasileiros, envolvendo todos os estados do País. A margem de erro estimada é de aproximadamente 1.75%.

Como pensam os eleitores do Bolsonaro?

Pesquisa realizada pelo Ideia Big Data serviu de base para matéria publicada no Valor Econômico

No último dia 24 de maio, o Ideia Big Data realizou uma pesquisa qualitativa para entender como pensam os eleitores do candidato à presidência da República Jair Bolsonaro, que vem despontando em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto. O grupo focal foi realizado em São Paulo, mesclando eleitores das classes A e B, de 21 a 55 anos, alguns com ensino superior, conforme perfil do seu eleitorado.

Os depoimentos dos entrevistados refletem um eleitor com impressões negativas sobre o País: inseguro, desconfiado de todo o sistema político (inclusive das urnas eletrônicas) e com sentimento de vergonha em relação à extensão da corrupção.

Para os seus eleitores, Bolsonaro tem dois “atributos” muito valiosos. O primeiro é ser visto como um personagem com experiência política, mas totalmente diferente dos políticos tradicionais. Valorizam, em especial, o fato de ele nunca ter aparecido em escândalos de corrupção. O segundo é ser visto como alguém de pulso firme, posicionamento forte. Alguém com coragem e autoridade para colocar ordem na desordem, especialmente quando o assunto é segurança pública.

Ficou evidente também que Bolsonaro tem maior aceitação com a população mais jovem (20% têm entre 16 e 24 anos), entre eleitores com ensino superior (22%) e entre os que têm renda familiar acima de dez salários mínimos (27%).

Chama atenção o fato de boa parte dos eleitores do Bolsonaro ouvidos no estudo já terem votado no Lula em eleições anteriores, assim como em Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Porém, os entrevistados foram favoráveis ao impeachment da petista e agora nutrem uma forte rejeição ao PT. Confira mais informações sobre a pesquisa na matéria publicada pelo Valor Econômico.

Reformulação do Ensino Médio: Ideia e Mapa Educação vão ouvir os jovens

O Ideia fechou uma parceria com o Mapa Educação para a realização de uma pesquisa que visa entender o que os jovens pensam e esperam do Ensino Médio. A proposta é que o estudo possa impactar as decisões do MEC a respeito da reformulação do Ensino Médio. “Acreditamos fortemente na importância da educação para o desenvolvimento do País. Admiramos o trabalho do Mapa e queremos ampliar a voz dos estudantes nesse processo de transformação, cujo objetivo principal é incluir a opinião dos jovens na pauta da discussão sobre o futuro da educação brasileira”, afirma o CEO do Ideia, Maurício Moura.

Segundo o diretor do Mapa Educação, Renan Ferreirinha, uma parceria entre o Mapa e o Ideia tinha tudo para acontecer o quanto antes. “Felizmente está se concretizando em 2017. A crença comum de que devemos entender o Brasil ouvindo mais e melhor os brasileiros, especialmente os jovens, e de que educação é o fator crucial no desenvolvimento do País exemplificam bem a sinergia entre as duas organizações. Nós do time do Mapa estamos extremamente animados com nossa inovadora parceria” , conclui Renan.

A pesquisa será dividida em duas etapas e envolverá pesquisa quantitativa e qualitativa. No primeiro momento, será realizada a fase qualitativa envolvendo 12 grupos focais. Já na segunda etapa, mil jovens serão entrevistados por meio de ligação telefônica. A previsão é que o resultado desse estudo seja disponibilizado para o MEC ainda no primeiro trimestre.

Saiba mais sobre o Mapa Educação: mapaeducacao.com