74% dos brasileiros são contra indenizar famílias de presos mortos em rebeliões

Dado foi apresentado pelo Ideia Big Data após pesquisa de alcance nacional com aproximadamente 5 mil pessoas

A opinião dos brasileiros sobre o problema carcerário no Brasil foi tema da pesquisa realizada pelo Ideia Big Data durante o mês de março, no qual mais de 5 mil pessoas de 33 cidades do País foram entrevistadas. O estudo foi apresentado em primeira mão pelo jornal Estadão e foi pauta do Brazil Conference 2017, realizado em Cambridge, nos Estados Unidos, no último dia 08. A pesquisa foi apresentada em um painel com as presenças do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, do Defensor Geral do Estado do Amazonas, Rafael Barbosa, e de Rafael Custodio, da Conecta Direitos Humanos.

O estudo mostra que a grande maioria (73%) acredita que a questão dos presídios é uma responsabilidade compartilhada entre os governos Federal, Estadual e do Judiciário e não tem muita confiança de que a situação deva melhorar nos próximos anos. Para 42%, os casos de rebeliões e mortes nos presídios do País devem crescer.

Indagados se a superlotação é causada pela lentidão da Justiça, que mantém muita gente presa aguardando julgamento, os entrevistados se dividiram: 41% concordam, 24% discordam e 35% não quiseram opinar. A amostra também demonstra que 53% dos participantes não acredita que construir mais presídios resolveria o problema da superlotação, enquanto apenas 18% concordam.

Outro ponto que rachou opiniões é sobre o bordão “bandido bom é bandido morto”: 48% concorda e 46% discorda. “A pesquisa mostra o quanto o tema é espinhoso para a sociedade brasileira e demonstra o quanto o esse discurso tem ressonância em parte do eleitorado”, destaca o presidente do Ideia Big Data, Maurício Moura.

A pesquisa mostra ainda que a população está bastante dividida se a privatização da gestão dos presídios seria uma boa alternativa: 35% discordam, 29% concordam e 36% não souberam responder. Ao mesmo tempo, 88% acreditam que “mais educação e trabalho dentro do sistema prisional são essenciais para melhorar a situação dos presos”.

Outro aspecto que chamou a atenção no estudo é o quanto à população não enxerga com bons olhos o gasto com detentos. Mínimos 12% dos entrevistados consideram válida a hipótese de indenizar as famílias de presos mortos em rebeliões, contra 74% que são contra. Para 56%, “o preso não deve ser prioridade para gasto do dinheiro público”.   “Diante de tantos problemas em diversas áreas, fica claro que o  público rejeita a hipótese de que esse é um tema prioritário”, conclui Maurício.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *