REFERENDO DA BOLÍVIA

Estratégia do Ideia é responsável pela incrível e improvável vitória do “NO” no Referendo da Bolívia

 

No dia 21 de fevereiro de 2016, os bolivianos foram às ruas escolher entre votar “SIM” e aprovar uma reforma constitucional possibilitando que Evo Morales disputasse novamente ao cargo em 2019, ou optar pelo “NO” e manter o teto máximo de dois mandatos consecutivos, conforme prevê a Constituição promulgada em 2009.

As pesquisas e todos os indicadores apontavam para a vitória do “SIM”, devido à alta popularidade e aprovação do ex-presidente, além do controle da mídia por parte do Governo. Apesar disso, o Ideia conseguiu reverter a situação por meio de uma estratégia eficiente, o uso de uma comunicação bem definida e direcionada e uma inovadora forma de fazer campanha naquele País. “Sabíamos que a situação era bastante desfavorável e nada animadora, mas nossa expertise em campanhas políticas e na construção de narrativas baseadas em inteligência com o uso de big data, microtargeting e contato direto, nos mostrava a luz no fim do túnel. E foi graças à essa fusão de ações que conseguimos contornar a situação e agora temos esse grande case para compartilhar”, destaca Maurício.

Segundo críticos da Lei de Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação aprovada em 2011, na prática, o presidente Evo Morales tinha o controle de 66% dos meios de comunicação graças à sua relação com as organizações indígenas e sociais, que bombardeavam os eleitores com propaganda do governo. “Foram as mídias alternativas que ajudaram a propagar a campanha do NÃO. A aplicação de microtargeting aliado a ferramentas de contato direto jamais utilizadas no País, como o envio de mensagens altamente customizadas por SMS, ligações telefônicas, redes sociais e até mesmo pelo aplicativo WhatsApp, foram os grandes diferenciais. Até então, os partidos bolivianos estavam acostumados com eleições manuais, panfletárias e com foco nas ruas”, enfatiza.

O primeiro passo foi realizar uma investigação profunda das características e das principais variáveis que influenciavam os diferentes grupos de eleitores. “Definido o público-alvo, iniciamos a etapa de criação do banco de dados da campanha, incluindo a captação de registros de eleitores presentes em bases dos partidos, de militantes, bem como de outras fontes de dados provenientes de pesquisas de campo, bases públicas do governo, sites e redes sociais”, explica Moura.

Ao final, o Ideia reuniu dados de 6 milhões de eleitores bolivianos, incluindo variáveis como nome, gênero, idade, renda presumida, nível educacional, endereço, telefones fixos e celular, e-mail e zona eleitoral. “Além disso, aplicamos a escala de pontuação gerada pelos modelos preditivos, que classificaram esses eleitores como mais ou menos propensos ao voto pelo “NO”, acrescenta.

Com as informações obtidas, pesquisas com grupos de foco foram realizadas para testar as principais mensagens de comunicação com pessoas que representavam cada um dos grupos-alvo definidos anteriormente. “Conseguimos quebrar a narrativa de Evo Morales apostando em um movimento apolítico, trazendo a população civil para lutar pela democracia e a opinião pública comprou esse discurso”, reforça.

O referendo se confirmou como a primeira derrota eleitoral direta do presidente Evo Morales desde sua chegada ao poder em 2006. Cerca de 6,5 milhões de bolivianos foram às urnas e o “NÃO” venceu por uma curta diferença de votos: 51%.

Category

Inteligência de Dados, Microtargeting

Tags

Campanhas Políticas

Date published

31 de March de 2017